My poems fade as flows of time
Tear apart my withered state
The written words no longer rhyme
A broken soul, the paper torn - Disharmony, L'âme Imortelle
.:Quinta-feira, Junho 29, 2006
O sorriso de Isabela
Lembro a primeira vez que me apaixonei por um sorriso; já havia me apaixonado antes, por olhos azuis e cabelos dourados, mas a primeira paixão por um sorriso me marcou. Isabela sorria como poucos; era doce, meiga e gentil. E eu era tímido.
Gostaria de ter sido mais sincero comigo mesmo mas, na época em que importavam as curvas delgadas e lábios carnudos, Isabela me trouxe o conforto da cumplicidade e amizade sinceras. Com suas madeixas castanhas e olhos profundos, ela era linda e eu ainda era tímido.
Seu sorriso ainda brilha, preso no barbante de minhas lembranças voa alto, sem que eu o deixe ir embora. Mas sobe, ao sabor do vento, rumo ao céu azul onde reside a menina por quem me apaixonei por um sorriso. Isabela é livre e eu continuo tímido.
Nunca tive a chance de saber se poderíamos ter nos encontrado um no outro, e nunca tive a chance de dar-lhe adeus. Você se foi e eu gostaria de ter dito tanto...
.:Quarta-feira, Junho 28, 2006
Dead Isa
Isabela morreu. Foi entre o dia 15 e 18 de março, logo após adicioná-la no orkut. Morreu de câncer. Isabela faria 25 anos no próximo mês. Ela tinha o sorriso mais bonito que eu já vi. Gostaria de ter dito isto a ela.
Eu soube hoje ...
Assisti à Sylvia neste final de semana. Inútil dizer que o filme é bom, que toca, que rasga e dói... o fez comigo.
Mas cada vez que o recomendo ele parece se banalizar, nas minhas palavras toda aquela emoção torna-se tão 'comum'. Não assistam, pelo que digo aqui, mas se quiserem da arte a sombra e o silêncio, seja na atuação da Gwyneth Paltrow ou nas palavras sublimes de Sylvia Plath, procurem-na. Geralmente se esconde na prateleira do fundo, coberta pelo pano mortuário...
PALAVRAS - de Sylvia Plath
Golpes
De machado que fazem soar a madeira,
e os ecos!
Ecos partem
Do centro como cavalos.
A seiva
Jorra como lágrimas, como a
água lutando
Para repor seu espelho
Sobre a rocha
Que cai e rola,
Crânio branco
Comido por ervas daninhas.
Anos depois as encontro
Na estrada ¿
Palavras secas e sem rumo,
Infatigável bater de cascos.
Enquanto
Do fundo do poço estrelas fixas
Governam uma vida. ...
.:Sexta-feira, Junho 23, 2006
Musichetaforas
O que minha'lma imortal grita?
Ora, leiam a citação no topo do blog. Mas agora, ouço somente os lamentos dos Pecados D'aqueles que Amais ...
.:Quinta-feira, Junho 22, 2006
A Cor da Chuva
- baseado em The Power of One, Sonata Arctica e em homenagem ao inverno que chega
As gotas golpeiam a janela, lá fora chove;
aqui dentro minha'lma imortal grita
contra o céu cinzento volto meus brados,
minhas blasfêmias e orações.
Pai, tantos anjos eu matei,
pequenos sentimentos sufocados
na escuridão do meu ódio, do meu rancor
espero um dia pelo teu perdão.
Mãe, Pai, onde estão teus sinais?
Encontro-os clamando em minha janela
Qual seria a cor da chuva?
A cor d'um quadro sem tela,
ainda lembro bem tua cor
chuva que cai longe da minh'alma ...
.:Quarta-feira, Junho 14, 2006
Como alternativa a gente sempre pode bloquear;
ou ser bloqueado ...
Tendo o Ódio para o Jantar
Ele chega sem avisar, como sempre; entra pela porta como se a casa fosse sua e se senta a mesa bem a minha frente, enquanto a mãe espalha os últimos talheres sobre a toalha. Seu sorriso se abre aos poucos, exibindo o aparelho metálico. Eu não sorrio de volta, mas ele não parece se importar.
Conforme a mãe se retira, ele tira sua própria faca e pinça um grande pedaço de carne ou batata sobre a mesa. Mas não parece atentar a minha presença. Eu então faço o meu prato, começo a comer e só então ele puxa conversa. Fala coisas sobre o dia-a-dia, política, futebol, clima ou religião. Tenta puxar papo, mas eu desconverso.
Ele espeta outro pedaço e come vagarosamente enquanto insiste na conversa. 'É meu trabalho, você sabe' - diz assim que abocanha a última mordida. Volto-me para ele e descubro seus olhos vermelhos, incandescentes, brilhando e refletindo no espelhado da faca; a própria lâmina parece se aquecer com a sua vontade, se tornando amarelada, o calor pulsando em ondas pelo ar.
Me faço impassível frente a ameaça, mas isto novamente não adianta. Rapidamente gira a faca entre os dedos e crava-a em minha mão, prendendo-a contra o madeirame da mesa. A dor percorre nervos e músculos, me força a fechar a mão sobre a lâmina enquanto ele, gargalhando, sai pela porta sem dizer adeus ...