In my dreams I can see you, I can tell you how I feel
In my dreams I can hold you, And it feels so real
I still feel the pain, I still feel your love - One Last Goodbye, Anathema
.:Terça-feira, Outubro 31, 2006
Vão deixar saudades. Esses e uns outros.
Deram muito trabalho, e roubaram uns tantos sorrisos, muitos dos quais desprevenidos, verdadeiros ...
.:Domingo, Outubro 29, 2006
Sementes de Mágoa
Pulou a cerca e roubou minhas mudas recém plantadas;
Levou-as para casa e plantou em seu próprio quintal;
Regou e cultivou-as com afinco e dedicação;
Hoje colhe os frutos maduros e me devolve;
Arremessa-os contra mim com um sorriso nos lábios ...
.:Quinta-feira, Outubro 26, 2006
Acordei cantando latim, recordei a música e deixei tocando no trabalho:
Salva Nos
Dominus Deus
exaudi nos et misrere
exaudi, Dominus
Dona nobis pacem
et salva nos a hostibus
Salva nos, Deus
Dominus exaudi nos
Dominus misrere
Dona nobis pacem
Sanctus, Gloria
dona nobis pacem
e dona eis requiem
inter ovas locum
voca me cum benedictis
pie jesu domine, dona eis requiem
dominus deus, Sanctus, Gloria ...
.:Terça-feira, Outubro 24, 2006
Inicia-se portanto o reinado do escorpião, e eu me sagro guerreiro e mercenário, repleto das farpas e mágoas, das garras e lágrimas, presas e veneno. O veneno, destilado de nosso próprio sangue, cruel, vil e maldito. E eu comemoro, sorrindo, ao receber as graças negras do corruptor, inebriado em álcool e coberto em ninfas.
Tal qual Álvaro de Campos, busco no oriente meu ópio, a cura para as comédias da minh¿alma ...
.:Sábado, Outubro 21, 2006
Radiância um soneto pelos mortos
Pedra branca e reluzente,
estampa fria, flâmula amarga
que recobres os mais alvos ossos
em silenciosa solidão.
Tua face se confunde
dentre outras lápides que permeiam
o campo esquecido da morte
coberto pelas cinzas do tempo.
Mas não eterno é teu lamento
pois de teu próprio sangue surgiria a doçura,
a gratidão e a honra.
Expressa em pétalas amarelas
que irradiam tal qual o sol sobre nuvens brancas
delicada luminescência em reconhecimento.
- relembrado hoje por conta de uma pessoa muito especial que partiu; a gente nunca se conheceu muito bem mas sei que a outros ela vai fazer muita falta, como as flores amarelas ou o cheiro salgado do mar ...
Novamente,
o reflexo distorcido mostra o que não desejo,
a armadura negra, farpas e sangue que não é meu.
Novamente,
elos e lâminas torcidos e partidos,
insígnias enferrujadas, tesouros perdidos.
Novamente,
deixo sobre o solo minha cota argêntea e opaca,
a túnica manchada, visto minha única capa negra.
Novamente,
pulsos e garganta marcados pelos grilhões
que aprisionam minha'lma,
distante de tudo aquilo que me é caro. ...
.:Terça-feira, Outubro 17, 2006
Eu continuo caindo, ele gargalhando.
E o som de suas risadas
me parecem pessoas se afogando
em seu próprio sangue,
em sua dor individual,
diferente desta que escrevo
ou da outra que eu sinto.
Eu continuo caindo, e ele gargalhando ...
Ontem meu MSN deu pau
e a ressaca trouxe de volta para a areia
a garrafa lacrada que eu deixei no mar.
Ontem meu MSN ficou louco
e a borrasca tinha gosto salgado
e me derrubou sozinho na praia.
Ontem meu MSN travou
e as nuvens cinzentas e castanhas
liberaram por um instante um facho de luz.
Ontem meu MSN pirou
atingiu em cheio os meus olhos,
mãos e boca com gosto do litoral ...
.:Sexta-feira, Outubro 06, 2006
A cozinha tem três janelas, das quais uma delas, a maior, por ser mais pesada quando fechada isolaria facilmente o ambiente. As outras, basculantes, deveriam ser calçadas assim como as frestas da porta, com panos úmidos ou fita isolante. Obviamente o buraco da fechadura teria fim semelhante.
O botijão de gás fica dentro da cozinha, o que torna a tarefa mais segura. Abriria as quatro bocas do fogão e me recostaria numa cadeira. Umas três garrafas de cerveja ajudariam a passar o tempo, e entorpeceriam meus sentidos parcamente, o que afastaria meus pensamentos do fogão. Na verdade, creio que já estariam bastante longe.
Estariam, ou estarão ...
.:Quinta-feira, Outubro 05, 2006
Meu Anjo da Guarda
Finco no chão minha lança, e coloco a mochila em apoio contra as rochas. Não faz frio o suficiente para que eu precise acender uma fogueira, e eu prefiro assim. Outra noite no exílio e eu ainda não me acostumo aos ruídos. Passos que me seguem rastejados, tentando ocultar, disfarçar sua intenção. É meu anjo da guarda que me segue, me protege.
Certa vez abri sua garganta com uma faca, fundo o suficiente para que a ponta da lâmina raspasse em sua coluna. Ainda assim ele continua a me perseguir, buscando vingança talvez, motivado por rancor ou uma estranha gratidão.
Não permite que as pessoas se aproximem, durante a noite ele se esgueira a minha volta, surpreende os incautos e os sufoca com mãos fortes. Me guarda, tortura meus sentidos, testa minhas virtudes, corrompe meus atos. Devo permanecer distante de tudo, alheio num mundo somente nosso, meu e de meu guardião.
Era belo no início, o brilho que refulgia nas profundezas de seu olhar, mas a paixão, a obsessão transformaram-no num monstro, o qual corajoso tentei eliminar. Desde então me persegue, me assombra, mas contra mim nada faz, a não ser observar com deleite a minha fragilidade.
E novamente amanhã, encontrei as manchas de sangue da ferida que nunca cura no pescoço do meu anjo da guarda ...